A CFMOTO iniciou uma nova fase de sua operação no mercado brasileiro apostando em uma combinação que vem chamando a atenção dos motociclistas: tecnologia, equipamentos, preços competitivos e uma linha de produtos cada vez mais ampla.
Durante o Capital Moto Week, em Brasília, conversamos e entrevistamos Urano Carvalho, Head da CFMOTO Brasil, para entender como está sendo o processo de consolidação da marca no país e quais são os próximos passos depois da forte repercussão dos primeiros modelos lançados.
Mais de um ano após os primeiros contatos com o mercado brasileiro, o cenário encontrado pela fabricante é de crescimento e, principalmente, de uma demanda que surpreendeu até mesmo a própria empresa.
Urano lembra que, no início da operação, ainda existiam muitas dúvidas sobre como o consumidor brasileiro receberia a marca. O resultado, porém, foi bastante positivo.
“Quando começamos a conversar lá atrás, tudo era uma incógnita para a gente. A gente se trabalhou muito, se esforçou muito, e o reflexo não podia ser melhor”, destacou.
O executivo também atribui parte desse resultado ao trabalho realizado pela imprensa especializada e pelos criadores de conteúdo, que ajudaram a apresentar as motocicletas ao público e explicar as tecnologias presentes nos modelos.
Segundo ele, já é possível encontrar consumidores que chegam às lojas conhecendo detalhes das motocicletas mesmo antes de terem comprado ou pilotado uma unidade.
Rede de concessionárias será ampliada com critérios

Com o crescimento da marca, aumenta também o interesse de empresários em abrir concessionárias CFMOTO em diferentes regiões do país. A expansão, entretanto, não deve acontecer apenas pelo número de lojas.
A fabricante afirma que procura parceiros que tenham estrutura e, principalmente, compromisso com atendimento e pós-venda.
Para Urano, vender a motocicleta é apenas uma parte do processo. O grande desafio está em garantir que o proprietário continue recebendo suporte depois de deixar a concessionária.
“Com a mídia que a gente faz e com a qualidade das motos, a moto se vende. O importante é o pós-venda, é o cuidado que a gente tem que ter com quem está com a moto lá na rua”, explicou.
A estratégia também não significa necessariamente evitar grandes grupos que já trabalham com outras marcas. O executivo citou o Grupo Maggi, que prepara uma operação da CFMOTO em Campinas, como exemplo de uma empresa com diversas bandeiras, mas que possui forte foco no atendimento e no pós-venda.
Tecnologia como argumento para conquistar o consumidor

Outro ponto que vem ajudando a CFMOTO a ganhar espaço é a quantidade de equipamentos oferecidos em suas motocicletas.
Recursos que até pouco tempo estavam concentrados em modelos de categorias superiores começam a aparecer em motocicletas de preço mais acessível. A lista inclui diferentes sistemas eletrônicos, conectividade e equipamentos voltados ao conforto e à segurança.
Na avaliação de Urano, essa característica faz parte de uma transformação provocada pela evolução da indústria chinesa.
Para ele, o consumidor brasileiro passou a receber produtos cada vez mais sofisticados sem precisar pagar valores tão elevados.
“A gente consegue entregar mais por menos. Esse é o esforço total, porque o cliente merece comprar uma moto que venha já com tudo que é gadget, com tudo que é feature que ajude ele, que deixe ele mais feliz, sem arrancar todo o dinheiro dele”, afirmou.
Marca atrai públicos diferentes
Se existe uma característica difícil de definir no atual momento da CFMOTO é o perfil exato de seu consumidor.
A marca vem recebendo tanto motociclistas que estão fazendo o primeiro grande salto de cilindrada quanto proprietários de motos premium interessados em uma segunda motocicleta.
Urano contou durante a conversa que um proprietário de uma Yamaha Lander 250 demonstrou interesse em subir para uma Ibex 700. Em outro caso, um motociclista que já possui uma BMW R 1250 GS pretende utilizar uma Ibex 450 como segunda moto, principalmente para deslocamentos e passeios.
O cenário mostra que a CFMOTO não está dependendo de apenas uma faixa de consumidores para crescer.
Segundo o executivo, o motociclista que vem de cilindradas menores procura mais desempenho e tecnologia, enquanto quem já possui uma motocicleta de grande porte pode encontrar nos modelos da marca uma opção mais leve, prática e acessível para determinadas situações.
Ibex 700 e Ibex 800 seguem caminhos diferentes

A linha Ibex também foi um dos assuntos da conversa, principalmente pela proximidade entre as cilindradas das versões 700 e 800.
Apesar da diferença relativamente pequena nos números, a proposta das motocicletas é bastante distinta.
A Ibex 700 tem uma vocação mais voltada ao turismo, priorizando conforto para viagens longas, inclusive com garupa e bagagem. Já a Ibex 800, especialmente na configuração 800X, possui características mais direcionadas ao uso aventureiro e ao fora de estrada.

A própria experiência da equipe da CFMOTO reforça essa proposta. Urano contou que viajou de São Paulo até Brasília com outros integrantes da empresa utilizando cinco unidades da Ibex 700.
A viagem serviu também como uma oportunidade para colocar a motocicleta à prova em uma utilização real.
“Viemos em cinco Ibex 700 de São Paulo para cá e foi uma viagem deliciosa, realmente. O nosso teste com a moto foi fantástico”, contou.
Esportivas e novos produtos estão no radar

A presença da CFMOTO em competições internacionais também levanta outra questão: até onde o DNA das pistas poderá chegar à linha brasileira?
Questionado sobre a possibilidade de novos modelos esportivos, Urano deixou claro que a fabricante acompanha de perto o interesse do público brasileiro.
A CFMOTO já possui modelos como a 675 e segue avaliando a possibilidade de trazer outras motocicletas para o país. A decisão, segundo o executivo, passa por estudos de mercado e pela análise do comportamento dos consumidores.
A empresa também mantém contato com influenciadores, clientes e empresas especializadas para identificar quais produtos podem ter melhor aceitação no Brasil.
Com uma linha internacional em constante expansão, a expectativa é que novas opções sejam apresentadas nos próximos ciclos de lançamentos da marca.
CFMOTO trabalha para aumentar a oferta

O crescimento da procura também trouxe um desafio: manter motocicletas disponíveis para os consumidores.
Os primeiros lotes tiveram rápida saída e a espera por determinadas unidades passou a fazer parte da realidade de quem pretende comprar uma CFMOTO.
Urano afirmou que a empresa está trabalhando para aumentar a produção e atender melhor à demanda brasileira.
Durante a conversa, ele também deixou uma mensagem para os consumidores que ainda aguardam uma oportunidade de compra.
O terceiro lote, segundo o executivo, conta com mais de 500 motocicletas, enquanto a fabricante trabalha para ampliar a oferta nos próximos períodos.

A estratégia mostra que a CFMOTO pretende aproveitar o atual momento de forte interesse para consolidar sua operação no Brasil. Mais do que crescer rapidamente, a marca busca estruturar uma rede de concessionárias preparada para atender o consumidor, ampliar a oferta de produtos e manter como principais argumentos a tecnologia e a relação entre equipamentos e preço.
O próximo capítulo dessa expansão deverá ser definido justamente pela capacidade da fabricante de transformar o interesse inicial em uma base sólida de clientes e, principalmente, em uma experiência de pós-venda capaz de sustentar o crescimento da marca no longo prazo.













