A entrega das obras de reforma e adequação do Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia, sofreu um novo adiamento. Inicialmente prevista para o início de dezembro, a conclusão foi postergada após vistorias técnicas realizadas por representantes da Federação Internacional de Motociclismo (FIM), da Dorna — promotora do Mundial de Motovelocidade — e por uma comissão médica. As solicitações fazem parte do processo de homologação do circuito para receber a MotoGP em 2026.
As inspeções ocorreram ao longo do mês de novembro e incluíram avaliações detalhadas das áreas médica, de paddock, boxes e infraestrutura operacional. Entre as adequações solicitadas está a implantação de uma cobertura no ponto de entrada da ambulância no centro médico, com o objetivo de garantir maior privacidade e melhores condições de atendimento em situações de emergência.
Ajustes estruturais no paddock e nos boxes
Além das demandas médicas, a FIM solicitou alterações relevantes na área do paddock. Uma das principais intervenções envolve o alargamento das portas dos boxes em 1,5 metro — considerada a obra mais complexa desta etapa e que já está em execução. Também foi requisitado aumento da profundidade do espaço localizado atrás da área edificada, adequação que teve projeto aprovado e segue em andamento.
As reformas no autódromo começaram em janeiro e priorizaram, inicialmente, a modernização das 22 garagens existentes. A torre de controle foi completamente demolida e reconstruída, enquanto a área de camarotes passou por ampla atualização para atender aos padrões internacionais exigidos pela MotoGP.
Pista aprovada e foco na segurança
No traçado, as intervenções tiveram como foco principal a segurança. O circuito recebeu recapeamento completo, ampliação das áreas de escape e substituição das barreiras de pneus. O asfalto já está finalizado e em fase de cura, sem apontamentos técnicos negativos por parte da FIM, assim como as áreas de escape.
A única observação relacionada à pista envolveu ajustes na forma de instalação das zebras, trabalho que já foi iniciado para atender às especificações internacionais.
Evento-teste será etapa decisiva da homologação
A fase final do processo de homologação prevê a realização de um evento-teste entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março. A atividade reunirá comissários de pista, equipes de resgate, profissionais médicos e toda a estrutura operacional necessária para um Grande Prêmio. Será uma corrida fechada, sem presença de público e fora do calendário oficial, organizada pela Brasil Motorsport, promotora do GP do Brasil.
Retorno histórico da MotoGP ao país
A MotoGP não disputa uma etapa no Brasil desde 2004, quando corria no extinto Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Desde então, projetos em Deodoro e Brasília chegaram a ser anunciados, mas não avançaram. Goiânia, porém, já tem histórico no Mundial, tendo recebido etapas entre 1987 e 1989, antes da passagem por Interlagos em 1992 e a mudança definitiva para o Rio de Janeiro na década seguinte.
Investimento e impacto econômico
O Governo de Goiás está investindo R$ 55 milhões na modernização do circuito. Estudos indicam que a realização do GP do Brasil pode gerar uma movimentação econômica superior a R$ 898 milhões, envolvendo turismo, serviços, comércio e cadeia produtiva ligada ao evento.
O GP do Brasil está programado para o dia 22 de março, como a segunda etapa da temporada 2025 da MotoGP. A abertura do campeonato acontece entre 27 de fevereiro e 1º de março, na Tailândia.












