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Asas aerodinâmicas na MotoGP: por que elas se tornaram decisivas no desempenho das motos

foto: MotoGP

Quem acompanha a MotoGP percebeu uma mudança clara no visual das motos nos últimos anos. As carenagens ganharam apêndices, abas e perfis cada vez mais complexos, conhecidos popularmente como asas aerodinâmicas. Longe de serem apenas um detalhe visual, esses componentes passaram a exercer papel fundamental no desempenho das motos, influenciando diretamente aceleração, frenagem e estabilidade.

A função principal das asas é gerar carga aerodinâmica (downforce), ou seja, utilizar o fluxo de ar para “empurrar” a moto contra o asfalto. Diferente de carros de corrida, onde a aerodinâmica já é explorada há décadas, a MotoGP precisou adaptar esses conceitos a um veículo que inclina, muda de direção rapidamente e depende muito da sensibilidade do piloto.

Controle da empinada e melhor aceleração

Um dos maiores desafios das motos atuais é lidar com a enorme potência dos motores de mais de 1000 cc. Em acelerações fortes, especialmente na saída de curvas lentas, a tendência natural é a roda dianteira perder contato com o solo. As asas atuam exatamente nesse ponto, gerando carga sobre a frente da moto e reduzindo as empinadas.

Com a dianteira mais estável, o piloto consegue abrir o acelerador mais cedo, enquanto a eletrônica trabalha de forma menos invasiva. O resultado é uma aceleração mais eficiente e constante, algo decisivo em corridas cada vez mais equilibradas.

Estabilidade em alta velocidade

Em retas longas, onde as motos ultrapassam facilmente os 330 km/h, a aerodinâmica passou a ser determinante. As asas ajudam a manter a moto “plantada”, reduzindo oscilações e aumentando a confiança do piloto. Essa estabilidade extra permite que a potência seja usada de forma mais previsível, especialmente em circuitos rápidos como Mugello, Sepang e Losail.

Frenagens mais agressivas

Outro ganho importante está nas frenagens. Ao gerar carga aerodinâmica na dianteira, as asas ajudam a evitar que a traseira levante, problema comum em desacelerações extremas após longas retas. Isso permite que os pilotos freiem mais tarde e com mais intensidade, fator essencial em disputas diretas por posição.

Influência nas curvas rápidas

Em curvas de alta velocidade, onde a moto permanece inclinada por longos períodos, a carga aerodinâmica contribui para uma maior sensação de aderência e previsibilidade. Embora o efeito seja menor do que em linha reta, ele ajuda a estabilizar a moto em mudanças rápidas de direção e em curvas feitas “no limite”.

A evolução e a padronização

A Ducati foi a grande pioneira na exploração agressiva da aerodinâmica na MotoGP, a partir de 2015. Os resultados foram tão evidentes que as demais fábricas seguiram o mesmo caminho. Com isso, a categoria precisou intervir, criando regras para limitar formatos, dimensões e número de atualizações aerodinâmicas por temporada.

Hoje, cada fabricante desenvolve pacotes específicos de asas, ajustados ao seu chassi, motor e estilo de pilotagem de seus pilotos. O desafio é sempre encontrar o equilíbrio ideal entre ganho de estabilidade e aumento de arrasto aerodinâmico, que pode prejudicar a velocidade final e a agilidade em curvas lentas.

Muito além da estética

As asas transformaram a MotoGP em uma categoria ainda mais técnica e estratégica. Elas são parte essencial do desempenho moderno, influenciando desde o acerto eletrônico até a forma como o piloto ataca uma curva ou defende posição em uma disputa direta. Na MotoGP atual, entender o ar passou a ser tão importante quanto entender o asfalto.

foto: MotoGP

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